Vamos então iniciar uma jornada de uma semana ou mais sobre o mundo da inteligência artificial. Ao longo dos próximos posts, você encontrará uma discussão sobre esse tema que nunca esteve tão na moda como nos dias de hoje, SISTEMAS INTELIGENTES. Esses posts foram inspirados da disciplina ministrada pelo Prof. Gudwin, da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da UNICAMP. Então, sabemos agora que temos uma base sólida de onde tiro a maioria dos meus argumentos.
Esses textos são indicados especialmente para engenheiros elétricos e de computação, principalmente devido a termos técnicos que serão apresentados, mas é claro, se você tem curiosidade em entender sobre essa área e é um entusiasta de inteligência artificial, então APRECIE!
Introdução
Pode-se encontrar muitos grupos de pesquisadores que já consideram que a era de sistemas inteligentes já chegou. Alguns acham que implementando um método neural, já torna meu sistema autônomo. Outros afirmam que a inclusão de sensores e atuadores, já é suficiente para considerar um sistema com inteligência. Um exemplo, são os chamados edifícios ou casas inteligentes, que nada mais são do que uma estrutura, formada com diversos sensores. Mas ao longo dos próximos posts, veremos que esse não é um assunto tão trivial.
É possível que você já tenha assistido muitos filmes que tratam sobre esse tema INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, e sem dúvida, uma das principais produções cinematográficas que buscaram explorar esse assunto sobre um aspecto ousado e futurístico, foi o filme I.A. de Steven Spielberg (ver trailer abaixo). É claro que ainda estamos longe de atingir este nível, mas é um ótimo meio de analisar essa questão.
Eu também poderia citar inúmeras situações que utilizam o termo INTELIGENTE, principalmente para destacar uma nova função de um determinado equipamento. Mas vamos parar para pensar, e questionar: "O que leva algo a ser considerado realmente inteligente?".
Vou tentar utilizar um exemplo.
- "Casas inteligentes atraem cada vez mais clientes no mercado capixaba." [1]. Bom, lendo a matéria, vemos que uma empresa conseguiu tornar automática, situações cotidianas de uma pessoa em uma residência, por exemplo, acender uma luz, ligar um alarme, etc. Então, eu levanto a questão, isso é tornar uma casa inteligente ou apenas automática? Considerando o que é discutido, levo a conclusão que minha casa é burra? Se você respondeu SIM, então eu pergunto...
Defina o que é inteligência? Ou melhor, defina o que são sistemas inteligentes?
Agora as coisas ficaram um pouco mais complicadas hein. Você consegue perceber como isso não é trivial certo?
Na verdade, o início da discussão sobre inteligência artificial, iniciou por volta de 1960 anos, onde cientistas e pesquisadores da área começaram a se interessar por esse campo do conhecimento. A partir daí, inúmeras técnicas começaram a florescer, como o caso das redes neurais artificiais, sistemas Fuzzy, computação evolutiva e sistemas especialistas.
Mas até hoje existe a questão, como podemos desenvolver um sistema inteligente capaz de reproduzir fielmente a inteligência humana? É claro que existem sistemas que mimetizam a inteligência do ser humano, como é o caso o caso de aparelhos que fazem reconhecimento de faces, aprendem comportamentos, porém, ainda existe um gap muito grande em relação ao modelo de inteligência que é proposto pelo filme de Spielberg por exemplo.
Nessa linha de pensamento, levaremos a buscar entender um pouco sobre o que são sistemas inteligentes, e utilizaremos a semiótica como principal ferramentas para buscar nos aproximar de um sistema considerado realmente inteligente.
Nesta discussão, também faremos uma viagem sobre conceitos filosóficos que tratam de inteligência. Afinal:
"Para criar sistemas inteligentes, é preciso entender como a inteligência do ser humano funciona. Concorda?"
Inteligência Artificial (IA)
Antes de iniciarmos qualquer discussão sobre sistemas inteligentes, para tentar entender o que é inteligência artificial. Nesse momento, reflita e define: O que é inteligência artificial?
Infelizmente, ainda não existe uma definição exata do que é IA. Mas existem algumas coisas que tentam mostrar algumas premissas que envolvem inteligência. Por exemplo, um sistema inteligente deve envolver: conhecimento, raciocínio, pensamento e idéias. Além disso, existem situações que servem como prova para verificar se um sistema é inteligência. Por exemplo:
- Meu sistema é capaz de resolver problemas e compreende-los?
- Meu sistema consegue planejar ações futuras?
- Meu sistema consegue aprender coisas novas?
- Etc..
Podemos dizer então, que caso um sistema computacional possua todos esses atributos, então ele é inteligente. Correto?
Errado! Porque inteligência envolve muitas outras questões que definem se um sistema possui ou não inteligência. Na verdade, não existe uma classificação única de sistemas inteligentes. Sempre existe um fator que interfere na definição desses sistemas, mas com certeza, esse é um caminho que irá nos ajudar a compreender aonde queremos chegar!
Ainda sobre esse assunto, existem sub tópicos que foram gerados a partir dessa discussão, por exemplo, a área de inteligências múltiplas, uma teoria desenvolvida por um pesquisador de Harvard, chamado Howard Gardner, que busca explorar e entender o conceito de inteligência.
Para fechar esse tópico, podemos trabalhar com a idéia durante esse estudo, que a inteligência poderia ter a seguinte definição:
- A inteligência é uma propriedade composta e derivada, que atua sobre diferentes domínios. Não é algo único, mas algo que se compõe de diversas outras capacidades.
Na verdade, essa discussão, é a principal motivação para estudar um dos nossos tópicos de estudo, a SEMIÓTICA, uma área de pesquisa que busca compreender o funcionamento do pensamento humano,e consequentemente, entender o que é inteligência.
Semiótica
Ok! O que semiótica tem a ver com inteligência artificial???
A primeira coisa é entender a etimologia da palavra: Semi = signos e ótica = estudo. Ou seja, estudo dos signos. Logo, temos que entender sobre os astros e estrelas. Brincadeira!! (hehehehe) Na verdade, signos tratam de significados ou significação de alguma coisa.
Pode parecer simples, mas eu pergunto, "O que é significado?"!! Você pode ver que essa não é uma pergunta tão simples, e a semiótica busca explicar isso também.
Então, vamos tratar com a idéia de que um sistema inteligente é capaz de processar signos! Você consegue entender agora qual a relação de ligação entre essas teorias?
Um filósofo que defende essa idéia, foi Pierce, que afirmava que pensamos através de signos. é possível entender como isso abre uma nova porta para o desenvolvimento da área de inteligência artificial? Ficou mais claro como a semiótica dá uma alternativa para atingirmos a inteligência proposta no filme lá no início do post?
Palavra final
Esse primeiro post serviu para dar uma idéia do que discutiremos durante esse estudo. Espero que muitos comecem a pensar melhor sobre o que é inteligente artificial, e o que leva um sistema a ser considerado realmente inteligente.
Qualquer dúvida, crítica ou elogio, fiquem a vontade para comentar abaixo ou enviar um e-mail para:
claudiof [ARRÔBA] decom [ponto] fee [ponto] unicamp [ponto] br
Obrigado pela atenção!
Estou ansioso para essa viagem com vocês!
Mais informações podem ser encontradas no link: http://www.dca.fee.unicamp.br/~gudwin/courses/IA005/Aulas.html
Referências no texto:
[1] Retirado do site G1.Acessado em 04 de Abril de 2012: http://g1.globo.com/espirito-santo/mercado-imobiliario/noticia/2011/09/casas-inteligentes-atraem-cada-vez-mais-clientes-no-mercado-capixaba.html
Legal! Minha definição de inteligencia é algo que pode aprender, e criar soluções criativas para os problemas. E acho que criatividade que é o problema disso tudo, que tbm, acredito eu, envolve um pouco de caos...A semiótica é uma proposta interessante, já que busca encontrar respostas em padrões de simbolos, o que envolve imaginação. É um desafio e tanto!
ResponderExcluirEstamos esperando os próximos posts logo! :D
Obrigado Fábio! Esse é o objetivo, fazer os leitores pensarem um pouco a respeito, e ao longo do estudo, iremos conversando sobre. Essa idéia de criatividade, realmente é válida, mas aí, entramos em questões como: "como meu sistema pode gerar signos a partir da análises de objetos do mundo real? E a partir disso, como manipular esses signos, afim de gerar novos signos, e consequentemente, gerar novo conhecimento?" Isso seria uma análise através da semiose, que iremos discutir mais na frente. E voltando ao ponto da criatividade, ela poderia ser a robustez do meu sistema para gerar novos signos. Concorda?
ExcluirAguarde que o próximo post está em andamento. Um abraço!
Hmmmm, em relação "robustez" eu tenho duvidas. Geralmente para meus clientes, robustez significa "não dar pau", ou seja, não dar problemas. Quando estamos tratando de conhecimento, inteligencia e uma pitada de criatividade, não significa colocar um pouco de "imprecisão" no sistema? E isso não significa deixar ele menos robusto? Uma coisa caracteristica da propria rede neural é ter um aprendizado que esquece as primeiras coisas que aprenderam (taxa de aprendizagem), assim como ter memória como matriz de correlação, que faz com que apresente erros se a quantidade de padrões forem maior que a dimensão de entrada da matriz. Daí fica no ar, o que é robustez de um sistema inteligente? Não errar nunca, ou ser igual humano e errar? ehehehe
ExcluirGrande abraço, Fábio Martins